
Os primeiros restos mortais de pessoas escravizadas enterradas no antigo Cemitério do Campo da Pólvora, em Salvador, foram encontrados por arqueólogos que trabalham no local, onde hoje funciona o estacionamento do Complexo da Pupileira, no bairro de Nazaré. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (26), durante coletiva de imprensa na sede do Ministério Público da Bahia.
Os primeiros restos mortais encontrados são ossos largos e dentes. Fotos não foram divulgadas, já que os artefatos são considerados um patrimônio sensível para a sociedade
Conforme explicado pela pesquisadora e arqueóloga Jeanne Dias, que coordenou o projeto Levantamento Arqueológico na Área do Antigo Cemitério do Campo da Pólvora, as ossadas poderão auxiliar no aprofundamento dos estudos e na reconstrução histórica, cultural e espiritual de um local apagado por 180 anos.
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“Estamos muito felizes com a localização das ossadas dos remanescentes das comunidades negras, no antigo Cemitério do Campo da Pólvora. […] Nosso objetivo é localizar vestígios remanescentes ósseos dos antigos escravizados e de outras pessoas que foram enterradas nessa antiga área da cidade, no antigo cemitério do Campo da Pólvora”, explica
Com a descoberta, os pesquisadores conseguiram confirmar a existência do maior cemitério de escravizados da América Latina, onde podem estar enterrados os restos mortais de mártires das Revoltas do Malês e da Revolta dos Búzios.
As escavações no cemitério começaram no dia 14 de maio, data que marcou os 190 anos da Revolta dos Malês, que aconteceu em Salvador, em 1835. O marco histórico é caracterizado como o maior levante de escravizados da Bahia.