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Aposentados sob ataque: golpistas usam dados vazados do INSS para assédio e fraudes

Foto: Reprodução

Relatos revelam ligações ameaçadoras, planos não autorizados e descontos ilegais, enquanto autoridades investigam origem do vazamento de informações sigilosas

Aposentados e pensionistas de todo o país estão enfrentando um verdadeiro cerco de golpistas que, munidos de dados pessoais vazados do INSS, aplicam uma série de fraudes que vão desde assédio telefônico até descontos não autorizados em benefícios. A CNN ouviu diversas vítimas que relatam um padrão de crimes que comprometem seus já apertados orçamentos.

O modus operandi dos golpistas

  • Ligações insistentes se passando por funcionários do INSS

  • Ameaças de cancelamento de benefícios

  • Inscrição forçada em planos de saúde e funerários

  • Empréstimos consignados não solicitados

  • Descontos mensais em associações desconhecidas

Cleide Dantas, aposentada de 63 anos, recebeu uma ligação onde a atendente afirmava que seu benefício seria “bloqueado por 90 dias” caso não aceitasse um cartão de crédito. “Quando liguei para o INSS, confirmaram que era gol”, conta. Já Dimas Coimbra, 71, descobriu cinco fraudes em seu nome, incluindo um empréstimo de R$ 2 mil que supostamente teria feito pessoalmente em uma agência que nem existe em sua cidade.

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Claudia Santos, pensionista de Bauru (SP), identificou descontos mensais de R$ 80 em seu benefício para uma associação que nunca autorizou. “Esse dinheiro faz falta pra comprar comida, remédios”, desabafa. Casos como esses se multiplicam pelo país, enquanto o INSS tenta entender como informações sigilosas – como CPF, número do benefício e contatos – chegaram às mãos de criminosos.

Especialistas apontam falhas graves na segurança de dados do INSS:

  1. Em 2022, multa da ANPD por vazamento de milhões de registros

  2. Em fevereiro de 2024, hacker alegou vazamento de 39 milhões de dados

  3. TCU identificou 400 credenciais de sistemas internos comprometidas

“O histórico do INSS não é positivo quanto à proteção de dados”, afirma Carlos Alberto Costa, especialista em cibersegurança. Ele alerta que o problema pode estar tanto na autarquia quanto em sua cadeia de parceiros.

Gilberto Waller, presidente do INSS, confirmou investigações da PF e CGU sobre os vazamentos. “Estamos adotando medidas para melhorar a segurança de nossas redes”, afirmou, sem dar detalses sobre as ações concretas ou prazos para resolver o problema que já dura anos.

Enquanto isso, milhares de aposentados seguem reféns de um sistema falho, tendo que vigiar constantemente seus benefícios e lidar com o estresse diário de ligações fraudulentas – um verdadeiro assédio institucionalizado contra aqueles que deveriam estar usufruindo de sua merecida aposentadoria em paz.