Professores da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) decidiram em assembleia aderir à paralisação nacional de dois dias contra a Reforma Administrativa. As atividades acadêmicas serão suspensas nesta quarta (10) e quinta-feira (11), com mobilizações nos campi da capital e do interior.
A deliberação ocorreu em assembleia híbrida realizada na última sexta-feira (5). Em Salvador, estão previstos seminários. Na quarta-feira (10), o debate terá como tema a Reforma Administrativa e seus impactos no serviço público. Na quinta-feira (11), a discussão será sobre pautas internas, como o adicional de insalubridade, que será levado à próxima reunião com o Governo do Estado, marcada para terça-feira (16). Nos campi do interior, ocorrerão atividades específicas.
A paralisação integra uma mobilização nacional organizada por entidades representativas do funcionalismo público das três esferas. A agenda prevê ainda audiência pública na Câmara dos Deputados no dia 11 e uma Jornada Nacional de Lutas entre 22 e 27 de setembro.
Segundo a Aduneb, a decisão acompanha a orientação de sindicatos e entidades nacionais que criticam a Reforma Administrativa em discussão no Congresso. A categoria afirma que a proposta ameaça serviços públicos e direitos dos servidores, como a estabilidade no emprego e a forma de avaliação de desempenho.
A coordenadora de Comunicação da Aduneb, Kátia Barbosa, afirmou que a paralisação é necessária para ampliar a mobilização e denunciar os impactos da proposta. Ela destacou que a estabilidade protege servidores de perseguições políticas e ideológicas, e que o modelo de avaliação de desempenho em debate pode servir para justificar demissões.
Outro ponto de crítica é o discurso sobre os chamados supersalários. De acordo com o Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe), apenas 0,3% dos servidores efetivos do país recebem acima do teto constitucional, segundo dados da PNAD Contínua de 2023. A Aduneb defende que os casos identificados devem ser combatidos, mas não usados como justificativa para mudanças estruturais na administração pública.
Além da Uneb, outras categorias do serviço público devem participar da paralisação e das atividades previstas na agenda nacional.
