Por Jesus Souza e Yuri Abreu – Foto Jesus Souza
A proposta feita pela Prefeitura de Lauro de Freitas, agora sob gestão de Débora Régis, do União Brasil, com relação ao pagamento de salários ao funcionalismo municipal, não caiu bem entre alguns dos representantes da categoria.
Em um encontro na tarde desta sexta-feira (17), a gestão propôs o pagamento parcelado, em seis meses, referente ao mês de dezembro de 2024, quando a prefeita ainda era Moema Gramacho, do PT. No entanto, a petista não quitou o débito junto aos servidores e, de quebra, deixou a cidade da RMS, conforme a atual gestão, com várias dívidas.
Caio Oliveira, representante da chamada Frente dos Servidores do município, foi um dos que se manifestou, afirmando que a proposta era indecente e acenou com uma possibilidade de greve entre os servidores.
“Esse governo iniciou mudando a carga horária do trabalhador, que era de oito até as duas horas [da tarde], no fluxo administrativo, sem que esse trabalhador sequer tenha recebido o salário de dezembro e sua auxílio-alimentação. Esse mesmo governo exige que o trabalhador continue trabalhando sem receber seu salário, sem receber sua alimentação, vindo todo dia trabalhar, passando fome. Aí esse mesmo governo agora chega para o trabalhador, exige isso do trabalhador, que não pensou no trabalhador quando mudou a carga horária para o trabalhador trabalhar até cinco horas da tarde – o que não é errado trabalhar até cinco horas, ele fez concurso para isso. Mas há de se ter bom senso, quando se sabe que o trabalhador não recebeu o salário de dezembro, nem sequer a alimentação, vocês mudam o horário do trabalhador, trabalham até cinco horas da tarde. Agora esse mesmo governo vem para o trabalhador e diz, vocês vão ter que trabalhar até cinco horas da tarde. Mas vou ter que aguardar seis meses para receber o salário de dezembro. Aí eu quero que o governo me responda. O que é que eu vou dizer para o dono da minha casa que é proprietário, que eu estou pagando aluguel, vai ele aguardar seis meses para ele receber? O que é que eu vou dizer? Eu tenho que fazer matrícula do meu filho na escola. Eu vou dizer que o meu filho vai ficar sem estudar, porque eu vou ter que aguardar o governo me pagar seis meses no salário de dezembro, porque eu não sei nem quando é que ele vai me pagar em janeiro”, criticou.
“Então, o que o senhor propõe aqui para os trabalhadores é até uma indecência. Essa proposta para os trabalhadores chega a ser indecente e indecorosa. […]. A justiça tem que alcançar a ex-prefeita ou quem tiver que tenha feito algo nesse sentido. Mas o trabalhador não tem culpa, ele não tem responsabilidade. E sem falar que o salário é algo prioritário, as empresas que o governo está devendo, essas podem suportar o tempo que for, que passe 3 meses, 4 meses, 5 meses, até que vão para justiça para ganhar esse dinheiro, mas o trabalhador precisa desse dinheiro para sobreviver, então não cabe o trabalhador ficar aguardando 6 meses para receber o seu salário, não tem a menor condição de se fazer uma proposta dessa para um trabalhador. É até um absurdo porque a gente também tem que trazer algumas coisas, esse trabalhador que não recebeu, recebe a notícia que os senhores vereadores aumentaram o seu salário e que provavelmente os senhores vereadores que aqui estão agora dia 20 vão receber o seu salário e o trabalhador vai ter que ficar calado trabalhando. Sem que ele tenha que receber seis meses do trabalho que ele trabalhou para poder receber. É isso que é uma vergonha. É indecoroso isso. Eu acho que a gente deveria se retirar da mesa, se levantar aqui, chegar para os trabalhadores e dizer a gente deflagrar a greve, porque essa não é a proposta. Nós não esperávamos esse tipo de proposta”, concluiu.
