A Polícia Federal deflagrou, na última quarta-feira (14), a segunda fase de uma operação que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master. Além de endereços ligados ao dono da instituição, Daniel Vorcaro, e a familiares, a operação também atinge o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur.
Tanure se preparava para embarcar em um voo para Curitiba, no Paraná, quando agentes da operação o encontraram e apreenderam seu celular. De acordo com a TV Globo, ele entregou pertences sem resistência e seguiu viagem.
Conhecido por polêmicas e por disputas entre sócios e renegociações de dívidas de empresas em crise, Tanure construiu uma trajetória marcada pela compra e reestruturação de companhias nos setores de energia, telecomunicações, petróleo, saúde, infraestrutura e mídia. Entre as empresas nas quais possui participação estão a Light – da qual se desligou esta semana, Alliança Saúde, Gafisa, PRIO, TIM Brasil e Docas Investimentos.
Também integram seu portfólio a Sequip e a Ligga – grupo de telecomunicações formado a partir da união de antigas operadoras regionais. Ele também fez parte do fundo Saint German, acionista do Grupo Pão de Açúcar.
Ao todo, os agentes cumprem 42 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. O magistrado ainda determinou o bloqueio de bens e valores superiores a R$ 5,7 bilhões.
Durante a CPI do Crime Organizado, o gestor de fundos Vladimir Timermanque afirmou há outros nomes por trás do ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro. Tanure seria um desses nomes.
“O senhor Nelson Tanure é uma das cabeças, eu acho que é o mais alto da hierarquia […] O meu sentimento é que [Vorcaro] é uma pessoa que realmente não sabia nem o que estava acontecendo. Foi colocada para ser a cara [do banco], para fazer as conexões políticas”, disse Timerman.
