A atuação do vereador Sandro Filho (PP) na cena política baiana parece seguir um roteiro previsível de oportunismo. Em meio a uma operação de segurança pública de grande envergadura – a “Operação Freedom”, que prendeu 38 integrantes do Comando Vermelho, o parlamentar optou por um espetáculo de retórica vazia. Nesta quinta-feira (06), após mais uma ação que reforça a segurança na capital baiana, num ato de alinhamento entre o governador e o prefeito Bruno Reis, Sandro Filho tentou “lacrar” contra Jerônimo Rodrigues (PT), acusando-o de omissão, em um ato que beira a má-fé, ignorando solenemente o sucesso nacionalmente reconhecido da própria operação estadual, realizada nesta semana.
A crítica, no entanto, desaba sob o peso de sua própria hipocrisia. Enquanto aponta o dedo para o governo, Sandro Filho convenientemente desvia o olhar dos esqueletos no armário de sua própria base política. Seu partido, o PP, enfrenta uma investigação da Polícia Federal que alcança principalmente, o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, por supostos vínculos com o PCC nos setores de combustível e financeiro.
Surge, então, a questão central: a defesa da segurança pública por Sandro Filho é um princípio ou uma arma de conveniência partidária? Se sua preocupação é genuína com o povo, por que o silêncio estridente sobre as investigações que mancham a cúpula de sua legenda? A seletividade de sua indignação revela que seu mandato está mais comprometido com o engajamento em redes sociais do que com a legislação baseada na verdade e nas necessidades reais da população.
Diante de fatos tão contundentes – a operação bem-sucedida do estado e os elogios de especialistas como Rodrigo Pimentel, ex-BOPE –, a pergunta que fica não é sobre a suposta omissão do governador, mas sobre a integridade do próprio vereador. Sua investida foi uma manobra politicamente calculada. A dúvida final é se a peça de teatro foi escrita por ele mesmo ou se Sandro Filho é apenas um ator de um serviço baixo da oposição, disposto a qualquer coisa para ganhar likes, mesmo que à custa da coerência e da verdade.
