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Terreiro é alvo de vandalismo e intolerância em Salvador

Terreiro é alvo de vandalismo e intolerância em Cajazeiras: "assassinos"
Foto: Reprodução/Redes sociais

Um terreiro de candomblé localizado no bairro de Cajazeiras XI, em Salvador, foi alvo de vandalismo e intolerância religiosa na madrugada do último sábado (17). O espaço sagrado, que funciona há 33 anos e pertence à tradição da família africana mais antiga a chegar ao Brasil, teve a fachada pichada com os dizeres “Assassinos” e “Jesus”, escritos com tinta vermelha, além de danos materiais ao patrimônio.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram pichações no portão de veículos, no portão de pedestres, nas paredes, na campainha e na caixa de correio do terreiro Nzo Mutá Lombô ye Kayongo Toma Kwiza. Segundo o sacerdote Tata Mutá Imê, responsável pela casa religiosa, essa foi a primeira vez que o templo sofreu um ataque desde a fundação. “Nunca havia lidado com uma situação semelhante”, relatou.

O sacerdote contou que tomou conhecimento do ocorrido nas primeiras horas da manhã. “Uma filha de santo que havia acabado de chegar me perguntou se eu havia visto a pichação na entrada do terreiro. Eu imaginei que fosse outra coisa, mas ela disse que era algo absurdo”, iniciou.

Ele detalhou a cena encontrada no local: “Foi aí que chamei um filho de santo e fui até o portão, me deparando com ‘Assassinos’ na parede onde fica o letreiro com o nome da casa e ‘Jesus’ no portão de entrada de veículos. O portãozinho de entrada de pedestre estava todo pintado de vermelho, com muitos respingos. Foi terrível. Uma coisa absurda, um desrespeito total”, declarou.

Após o episódio, Tata Mutá Imê registrou a ocorrência na delegacia de Cajazeiras e foi encaminhado à Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), onde ele e um filho de santo prestaram depoimento. A investigação aguarda a coleta de imagens de câmeras de segurança da região para tentar identificar o autor do crime.

Enquanto aguarda o avanço das apurações, o sacerdote afirmou sentir indignação com o ataque. “Eu me sinto invadido, desrespeitado pelo povo de Jesus. É um absurdo, irrita ver o seu território sagrado sendo invadido por pessoas que dizem ser de Deus”, declarou. Ele acrescentou que os danos vão além do aspecto simbólico. “Eles picharam a campainha, a caixa de correio, os portões, as paredes. Foi uma destruição. Ou seja, para além do prejuízo emocional e religioso, houve um prejuízo material”, concluiu.