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Vereadora apoia resultado das pesquisas sobre o Cemitério dos Africanos, em Salvador

Vereadora apoia resultado das pesquisas sobre o Cemitério dos Africanos, em Salvador
Foto: Paulo Azevedo/CMS

A vereadora Eliete Paraguassu (PSOL) apoiou a participação das pesquisadoras Silvana Olivieri e Jeane Dias na Tribuna Popular na Câmara Municipal de Salvador (CMS). Elas apresentaram os resultados das pesquisas sobre o Cemitério dos Africanos do Campo da Pólvora, considerado o primeiro cemitério público da capital baiana.

A legisladora reafirmou o compromisso do Mandato Popular das Águas com a luta por memória, justiça e reparação histórica.

“Esse é um tema muito caro para a cidade. A Câmara Municipal de Salvador pode contribuir de forma decisiva para o reconhecimento do Cemitério dos Africanos como um espaço de memória, dignidade e reparação. Não podemos permitir que essa parte da nossa história permaneça invisibilizada”, afirmou Eliete.

Eliete lembrou ainda que a discussão sobre o Cemitério dos Africanos está inserida em uma agenda mais ampla de reconhecimento e justiça, demonstrando apoio às próximas etapas, com a realização de uma audiência pública específica para aprofundar o debate sobre memória, preservação do sítio histórico e reparação à população negra.

Pesquisadoras destacam resultado na Câmara e cobram apoio

A arquiteta e urbanista Silvana Olivieri, responsável pelas pesquisas, destacou que o local possui uma relação direta com a própria história da Câmara. Segundo ela, o cemitério funcionou inicialmente sob jurisdição da CMS e, posteriormente, foi administrado pela Santa Casa de Misericórdia durante cerca de um século.

“Um lugar marcado por histórias que nos impõe, no presente, o dever de cuidar da memória e buscar justiça para as milhares de pessoas ali sepultadas”, afirmou Silvana, que também solicitou o apoio institucional da Casa.

“A Câmara está implicada na origem desse cemitério e pode contribuir para que essas pessoas sejam finalmente honradas como merecem”, disse a pesquisadora.

Na sequência, a arqueóloga e antropóloga Jeane Dias, coordenadora da pesquisa arqueológica que localizou vestígios do cemitério, ressaltou que a descoberta ajuda a aproximar a sociedade contemporânea dos impactos ainda presentes da escravização.

“Quando falamos sobre reparação, muitas vezes colocamos a escravização em um passado distante. A arqueologia traz uma materialidade que nos mostra que essa violência continua ecoando no presente”, destacou.

“Se essas pessoas não tiveram dignidade nem mesmo no momento de sua morte e sepultamento, cabe a nós, no presente, garantir que essa história não continue sendo reproduzida”, completa.