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Como a mídia dos EUA cobriu o conflito na Faixa de Gaza, parte IV

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Conteúdo do Intercept Brasil – Foto Reprodução Web

Escrito por Adam Johnson e Othman Ali

Cobertura do antissemitismo tem mais espaço que da islamofobia

De forma semelhante, quando se trata da repercussão do conflito em Gaza na forma de ódio nos EUA, os principais jornais deram mais atenção aos ataques antissemitas do que aos ataques contra os muçulmanos.

No geral, houve um foco desproporcional no racismo em relação ao povo judeu, em oposição ao racismo direcionado a muçulmanos, árabes, ou pessoas percebidas como tal.

Durante o período do estudo do Intercept, New York Times, Washington Post, e Los Angeles Times mencionaram antissemitismo mais do que islamofobia (549 contra 79) – e isso foi antes da meta-controvérsia sobre “antissemitismo no campus” fabricada pelos republicanos no Congresso, que começou na semana de 5 de dezembro.

Apesar da ocorrência de muitos casos de grande repercussão durante o período da pesquisa, tanto de antissemitismo, quanto de racismo islamofóbico, 87% das menções sobre discriminação diziam respeito ao antissemitismo, contra 13% de menções sobre islamofobia, incluindo os termos relacionados.

LEGENDA: Projeção afirma que o Washington Post é “conivente com genocídio” de Israel durante uma manifestação por Gaza no dia de ação pela Palestina, em 12 de outubro de 2023.

Quando os Grandes Jornais Falham
No geral, os assassinatos praticados por Israel em Gaza não recebem cobertura proporcional, nem em extensão, nem impacto emocional, na comparação com as mortes de israelenses em 7 de outubro.

Essas mortes são, em regra, apresentadas como números arbitrariamente altos e abstratos. Os assassinatos tampouco são descritos com linguagem emotiva como “massacre”, “carnificina”, ou “terrível”.

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As mortes de civis israelenses pelo Hamas são consistentemente retratadas como parte da estratégia do grupo, enquanto as mortes de civis palestinos recebem cobertura quase como se fossem uma série de erros pontuais, cometidos milhares de vezes, apesar dos inúmeros elementos indiciários que sinalizam a intenção de Israel de causar danos a civis e infraestrutura civil.

O resultado é que os três principais jornais americanos raramente deram cobertura humanizante aos palestinos. Apesar dessa assimetria, as pesquisas mostram que, entre os democratas nos EUA, a opinião pública está se tornando mais favorável aos palestinos que a Israel, com grandes diferenças geracionais criadas, em parte, por uma importante variação nas fontes de notícias.

Em geral, os jovens estão se informando sobre o conflito no TikTok, YouTube, Instagram, e Twitter, e os americanos mais velhos estão recebendo as notícias dos meios de comunicação impressos e canais de TV a cabo.

A cobertura tendenciosa nos principais jornais e na televisão tradicional está impactando a percepção geral sobre a guerra, e direcionando os telespectadores a uma visão distorcida sobre o conflito. Isso levou especialistas e políticos pró-Israel a culparem a “desinformação” das redes sociais pelas opiniões favoráveis aos palestinos.

Uma análise tanto dos meios impressos quanto dos canais de televisão, no entanto, deixa claro que, se existe um grupo de consumidores de mídia que está recebendo uma imagem distorcida, são aqueles que recebem as notícias dos meios de comunicação de massa tradicionais dos EUA.