O governo dos Estados Unidos sancionou Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e a classificou como “facilitadora” do marido, a quem chamou de “ator estrangeiro maligno”. A ação, anunciada nesta segunda-feira (22) pelo secretário de Estado Marco Rubio, incluiu o congelamento de quaisquer bens da advogada nos EUA e a proibição de transações com cidadãos e empresas americanas. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, justificou a medida afirmando que “não existe Clyde sem Bonnie”, em referência ao famoso casal de criminosos Bonnie e Clyde.
Em comunicado, o Tesouro norte-americano alegou que Viviane fornece uma “rede de apoio financeiro” ao ministro, já sancionado em julho, e que a empresa da família, o Lex Instituto de Estudos Jurídicos, atua como uma “holding” para os bens de Moraes. “Juntos, o Lex Institute e Viviane detêm o patrimônio da família de Moraes”, afirmou o órgão. As sanções se baseiam na acusação de que o ministro é responsável por “censura, detenções arbitrárias e violações de direitos humanos”.
Paralelamente, o governo Trump revogou os vistos americanos do advogado-geral da União, Jorge Messias, e de outras cinco autoridades do Judiciário brasileiro. Messias reagiu à decisão, classificando as ações como “um desarrazoado conjunto de ações unilaterais, totalmente incompatíveis” com as relações bilaterais. “Diante desta agressão injusta, reafirmo meu integral compromisso com a independência constitucional do nosso Sistema de Justiça”, declarou.
As medidas representam a primeira retaliação explícita do governo Trump após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão pelo STF por crimes como golpe de Estado. Funcionários do Itamaraty avaliaram, sob anonimato, que a escalada sinaliza a cobrança de impunidade para Bolsonaro. Durante o julgamento, Alexandre de Moraes havia afirmado que o Supremo não cederá a pressões externas.
