O governo brasileiro classificou como “absurda” a proposta apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que concluiu uma investigação comercial contra o Brasil e sugeriu a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, com algumas exceções. A avaliação é de que a medida não possui fundamentação técnica consistente.
Segundo integrantes do governo, o Brasil não adota tarifas contra produtos americanos que justifiquem sanções comerciais e ainda registra déficit na balança comercial com os Estados Unidos. Um dos pontos que geraram maior contrariedade foi a inclusão do Pix entre as críticas feitas pelo órgão norte-americano.
No relatório, o USTR afirma que o Banco Central favorece o sistema de pagamentos ao atuar simultaneamente como regulador e proprietário da plataforma, além de impor seu uso e limitar taxas cobradas por concorrentes americanos. O tema aparece entre os principais questionamentos apresentados pelos Estados Unidos.
Apesar das críticas, integrantes do governo brasileiro avaliam que a proposta poderia ter sido mais severa, com tarifas superiores a 25%. Também foram destacados de forma positiva a existência de exceções na lista de produtos afetados e a menção à possibilidade de um acordo. O relatório cita ainda as negociações iniciadas após o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, em 7 de maio, quando foi criado um grupo de trabalho para discutir tarifas comerciais entre os dois países.
