A Polícia Federal investiga uma suposta ação do BRB para dar “sobrevida” ao Banco Master. Segundo a PF, o Banco de Brasília buscou adiar a liquidação da instituição controlada por Daniel Vorcaro. Investigadores afirmam que a cúpula do BRB trabalhou para garantir liquidez ao Master. Além disso, o banco parcelou a cobrança de créditos fraudulentos.
“Havia pleno interesse do BRB em que o Banco Master não fosse liquidado”, afirma a representação da PF. A operação Compliance Zero prendeu Vorcaro e outros envolvidos. Conforme os delegados, o objetivo era manter o Master vivo até a conclusão de sua compra. O banqueiro, porém, já deixou o centro de detenção.
A investigação aponta que o BRB ignorou graves irregularidades nos créditos. A instituição também demorou para responder aos questionamentos do Banco Central. “Apesar de consciente de que poderia recuperar 6,7 [bilhões] de forma instantânea”, preferiu receber em parcelas mensais. Esse dinheiro permaneceu vinculado à conta do Master.
O BRB aceitou receber o montante em sete parcelas, até dezembro de 2025. Essa devolução ocorreu de forma “totalmente alheia às previsões contratuais”. “Tudo leva a crer que a intenção era dar sobrevida ao Banco Master”, dizem os policiais. O Master precisava rolar suas obrigações até a compra pelo BRB.
O Conselho do BRB aprovou a compra de 58% do Master em março. No entanto, o Banco Central barrou a operação em setembro. A PF aponta que o Master forjou e vendeu cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito ao BRB. O volume de recursos acendeu alertas na fiscalização.
Em nota a Folha de São Paulo, o BRB afirmou que é credor na liquidação extrajudicial do Master. O banco também reforçou seus controles internos e pediu para atuar como assistente de acusação. “As carteiras atuais seguem padrão adequado”, disse a instituição. O Banco Master foi procurado, mas não respondeu.
